O piloto automático e o poder das perguntas

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Quais perguntas você tem feito a si mesmo?

Esse tema de hoje me fez lembrar uma época não muito distante na minha vida, que eu  simplesmente vivia no automático, não me perguntava sobre nada, simplesmente fazia as coisas porque de alguma forma achava que tinha que ser desse jeito. Piloto automático.

Nessa época eu trabalhava para uma multinacional americana que prestava consultoria para uma empresa imensa no setor de fumo e tabaco aqui do Brasil. Trabalhei nessa empresa por volta de 2 anos e fui muito feliz durante o período que trabalhei nela, aprendi muitas coisas novas além também de ter conhecido pessoas extraordinárias, realmente eu não tenho o que reclamar do período em que estive lá foi uma experiência incrível para mim fazer parte de tudo aquilo. Evolui demais como pessoa, fiz ótimos amigos, realmente só tenho a agradecer pela oportunidade que tive lá.

É, mas como nem tudo nessa vida são flores… um belo dia, depois de dois anos mais ou menos que trabalhava lá, comecei a querer entender o que eu tava fazendo com a minha vida naquele momento, quais eram os caminhos que eu tava dando a ela, o que eu tava fazendo ali trabalhando naquela empresa, que tipo de valor eu tava gerando para as pessoas com o meu trabalho… enfim, eram muitos questionamentos.

Foi exatamente nesse momento que descobri que fazia muitas coisas e não sabia exatamente por que as fazia. E mesmo que achasse um motivo para aquele meu “fazer” esse motivo não fazia sentido para a pessoa que eu queria me tornar. Digamos que estava pegando uma estrada que não iria dar no lugar de destino que havia definido.

Eu gravei um podcast sobre perguntas e se você quiser ouvi-lo clique aqui para saber mais.

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A parte mais emblemática desse autoconhecimento foi uma conversa que tive entre mim e mim mesmo, ao melhor estilo eu, eu mesmo e irene. Se liga no papo:

Pergunta: Hugo, você trabalha numa empresa que presta serviço para promover o fumo e tabaco no mundo, certo?
Resposta: Sim, é o que tenho feito nós últimos 2 anos.

Pergunta: Hugo, você fuma?
Resposta: Não, eu não fumo.

Pergunta: Hugo, você é a favor do fumo, você apoia o tabagismo?
Resposta: Não, eu não apoio esta causa, inclusive sou totalmente contra o fumo.

Pergunta: Hugo, Se você é contra o fumo, então por que raios você trabalha numa empresa que presta serviço para melhorar o fumo no Brasil?
Resposta: Ah, porque eu preciso ganhar dinheiro.

Pergunta: Tudo bem mas não existe outra forma de ganhar dinheiro nessa vida? Precisa ser promovendo algo que você é contra?
Resposta: …

Foi exatamente nessa última pergunta que a minha cabeça entrou em parafuso. Eu não tinha me dado conta que o meu trabalho gerava vários conflitos com o que eu acreditava que era o correto, conflitava justamente com as minhas crenças. Sabe qual o nome disso? Crise de identidade. Ir contra o fumo é um valor importante pra mim e ganhar dinheiro também é um valor importante pra mim, mas qual vale mais? Até aquele momento o dinheiro vinha em primeiro lugar, depois a saúde das pessoas.

Nesse momento entendi que se eu prestasse o melhor trabalho da minha vida, ninguém iria ganhar nada com aquilo, não melhoraria a vida de ninguém em nada, muito pelo contrário. O melhor do meu trabalho na verdade só estaria ajudando as pessoas a fumarem mais e a se destruírem mais. Dói pensar assim, mas era o que eu estava fazendo naquele momento. O melhor do meu trabalho, contribuía para as pessoas se matarem com mais eficácia, piorando seus vícios e viciando novas pessoas.

Acredito fortemente que muito da minha motivação estava abalada nessa época devido a esses conflitos internos que na verdade estavam em segundo plano pois eu não os conseguia enxerga-los, não estava claro para mim.

Tenho um artigo sobre Motivação no trabalho, aliás ta animal esse artigo, sugiro que veja. Clique aqui para ir até esse artigo.

Outra coisa que penso é… não que a gente não possa ganhar dinheiro com o que a gente não gosta ou não apoia, mas acredito que o senso de pertencimento e de realização é muito maior quando a gente faz aquilo que converge com os nossos valores, com o que a gente acredita que é certo. O trabalho ganha um propósito dessa forma, não só o dinheiro pelo dinheiro e isso tem muito mais força pra motivar qualquer pessoa a fazer qualquer coisa.

E digo mais… talvez eu passasse uma vida toda sem perceber isso, aliás não é nenhum exagero pensar nessa hipótese. Se eu não tivesse me feito as perguntas que me fiz provavelmente nunca teria resolvido problemas sérios que resolvi. Eram pontos cegos… e como você vai corrigir algo que nem sabe que existe?

Eu provavelmente continuaria no senso comum de que trabalho é algo que é feito pra ser chato e de que não se pode ser feliz ou estar realizado trabalhando, afinal no fim das contas, trabalho é só para ganhar dinheiro e ponto.

Então o que eu digo aqui para você fazer é: Questione-se. Entenda o que é importante para você. Verifique se o que você faz na sua profissão tem a ver com os seus valores, se isso converge com quem você é ou quer se tornar. Isso é muito importante.

Sempre que você fizer coisas que não apontem para os seus valores, que não estejam de acordo com seus valores, provavelmente haverá conflito de identidade e isso pode trazer problemas como falta de motivação, por exemplo.

Bem, é isso o que eu queria deixar de mensagem hoje e se você curtiu esse artigo, por favor, deixe o seu like, dessa forma você vai estar ajudando para que essa mensagem chegue a mais pessoas. Muito Obrigado!

Forte abraço e muito sucesso!

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2 Comentários

  1. Leonardo Freitas 20 de dezembro de 2016

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