Não faça nada para dar certo

Não sei se você já leu em algum texto meu ou de alguma forma conhece a minha história, mas a verdade é que, entre outras coisas, eu sou músico e amo compor e tocar, porém, essa realidade poderia ter sido muito diferente se eu não tivesse aprendido uma importante lição de vida a qual quero compartilhar com você aqui neste post.

Quando eu tinha uns 16 anos de idade acabei conhecendo uma galera que tocava violão/guitarra e era simplesmente incrível ver e ouvir eles tocando. Mesmo eles sendo músicos amadores e iniciantes aquilo mexia demais comigo e eu me conectava com aquilo de tal forma que era simplesmente inexplicável. Em pouco tempo não tive mais dúvidas de que aquilo era pra mim (e eu era daquilo) e que iria aprender a tocar violão de qualquer jeito. Foi como apaixonar-se, literalmente falando.

Essa é a parte bonita da história. O rapaz que se apaixona pela música e decide amar aquilo com toda sua intensidade até o fim da vida… que bonito!

Mas a parte feia (e também a mais importante) da história é que eu tive imensas dificuldades pra aprender a tocar. Muitas mesmo. Aquilo era simplesmente difícil demais para mim. Eu não era exatamente um dos caras mais sensíveis e equilibrados do mundo (principalmente nessa época!) o que significa que para mim aprender a tocar um instrumento (que exige precisão e destreza) era realmente algo muito fora da minha zona de conforto. Claramente eu não tinha qualquer “dom” ou pré-disposição para aquilo e isso me perturbava demais pois eu queria tanto aquilo que era extremamente desesperador não conseguir tocar nada.

Fique meses tentando tirar alguma música e nada. Faltava coordenação motora. Faltava força nos dedos. Pra você ter ideia do que eu to falando, eu não conseguia nem tocar legião urbana, nem nirvana, nem nenhuma música que todo iniciante no violão sabe tocar. Isso me deixava triste, chegava a chorar as vezes por não estar no nível que desejava. Hoje mais velho e mais maduro, consigo notar que precisei vencer 2 mitos para enfim conseguir chegar no resultado esperado.

Mito 1 – O mito do “aha moment”

Esse mito prega que em algum ponto da jornada algo extraordinário vai acontecer e pronto ai sim daí em diante as coisas vão dar super certo. Não sei na sua vida, mas na minha isso não existe, nunca aconteceu. Como já falei no post onde mencionei que não existe atalho, tudo só pode ser construído passo a passo, tijolo a tijolo, não existe essa coisa de aprender uma técnica milagrosa ou alguma sacada mágica que faça você ir do 0 ao 100 do dia para a noite. Esse mito se refere aquele ponto que no meio da jornada você tem aquela iluminação divina e diz “Aha! Descobri o segredo para a mágica acontecer, agora nada mais vai dar errado!”.

Isso dai meu amigo, só em filme, na vida real as coisas não são assim.

Retomando a história….

No momento em que eu patinava para aprender a tocar as músicas de revista de violão, tive a sacada que iria fazer toda a diferença: Se o meu problema era falta de coordenação motora na mão esquerda, era simples resolver, ao invés de fazer as notas com a mão esquerda, vou virar o violão para o outro lado e tocar como se fosse canhoto. Assim eu iria fazer as notas com a mão direita, que é a boa, daí mesmo problemas estariam resolvidos!

E sabe o que aconteceu quando eu inverti o violão de lado e comecei a tocar a mão direita? Deu mais errado ainda :)

É lógico que deu mais errado! Eu troquei uma mão que tinha aprendido 15%, para chegar em 100%, por outra mão que tinha aprendido 0% e tinha que caminhar todo o caminho até o resultado! Em suma, eu troquei uma mão que era ruim fazendo algo, por outra que nunca fez aquilo… qual a chance disso dar certo? Fazer isso foi como recomeçar do zero novamente.

Por mais que eu tivesse mais força nos dedos com a mão direita a jornada até a excelência era a mesma para as duas e essa etapa não poderia ser evitada ou pulada.

Mito 2 – Você não tem que fazer nada para dar certo

Até hoje, essa foi uma das maiores lições que aprendi na minha vida.

No momento que nada dava certo, nem invertendo o lado do violão as coisas melhoraram, que disse pra mim mesmo a coisa mais importante que deveria ser dita naquele momento: Não importa o quanto tempo dure, não importa o quanto eu precise praticar até eu ser bom nisso, nem que eu tenha que praticar durante anos e anos até as coisas saírem do jeito que eu quero, eu vou ser bom nisso… de um jeito ou de outro eu vou ser bom nisso, não importa o tempo que isso leve.

Pronto, meu modelo mental havia dado um passo a frente.

Você entendeu o que aconteceu nesse momento? Eu simplesmente parei de focar a minha atenção na minha ansiedade para ter logo a maestria que eu queria e foquei todos os meus esforços para de fato construir a maestria que eu queria, não me importante o quanto levaria esse processo. Nesse momento eu liguei o “foda-se” para se os meus amigos já sabiam tocar e eu não, isso não importava mais. Não importava mais que eu estava demorando mais do que todo mundo geralmente demora para aprender a tocar, simplesmente “foda-se” pra isso.

Eu iria fazer aquilo até conseguir e dane-se todo o resto.

Em suma, a lição que quero deixar aqui é: Você não tem que fazer nada para dar certo, você tem que fazer até dar certo. Pague o preço que precisar ser pago. Vá até o fim. Independente do quanto você quer fazer para determinada coisa dar certo, faça o quanto precisa ser feito até que aquilo dê certo.

As coisas não levam o tempo que você quer que levem para dar certo, as coisas levam o tempo que precisam levar para darem certo e você precisa continuar trabalhando e aprendendo até que tudo se encaixe e o resultado seja conquistado. Se você realmente quiser conquistar algo bacana ou ficar bom em algo, você não pode parar depois de alguns fracassos, você não pode pensar em abandonar tudo só porque as coisas não estão saindo como você imaginou. Aliás, dane-se o que você imaginou… a vida não ta nem ai para o que você imaginou.

Sabe o que a vida diria para você e suas expectativas?

Algo mais ou menos assim:

“Caguei para o tempo que você acha que as coisas vão acontecer. Seu tempo e suas expectativas são questões suas e eu funciono independente disso. Eu não vou mudar o curso das coisas só porque você quer aquilo em menos tempo ou com menos esforço do que precisa. Não é você que escolhe o preço que quer pagar pelas suas conquistas, sou eu, você gostando disso ou não, é assim que as coisas funcionam. Confie em mim e faça a sua parte, pois se eu coloquei esse preço para você é porque tenho certeza que você pode pagar. Você só precisa ter mais paciência e acreditar em você o tanto quanto eu acredito em você.”

Resumindo: Não é a música que se encaixa no ritmo da sua dança, é a sua dança que se encaixa no ritmo da música.

Portanto, continue dançando (ou no meu caso tocando) que uma hora você pega o ritmo.

Vou ficando por aqui, grande abraço!


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