Entrevista: Silvio Celestino

Olá, tudo bem?

Hugo Oliveira aqui mais uma vez, dessa vez para trazer um conteúdo diferente do que costumo postar, espero que você goste. Já a muito tempo que penso em fazer uma entrevista para postar aqui no site, e justamente essa semana tive a chance de realizar esse meu “antigo” desejo.

Essa entrevista acabou acontecendo por acaso, depois que li um artigo do Silvio chamado “Você tem os mesmos valores e crenças de sua empresa?” e achei simplesmente incrível. Como artigo é simplesmente animal, vou deixar o link aqui para caso você também queira lê-lo. (Clique aqui para ler o artigo)

Depois de ler o artigo, fiquei curioso em fazer algumas perguntas a ele, o que acabou me levando a mandar um e-mail para o cara (mesmo achando que ele não me responderia). Contrariando minhas expectativas, ele não só respondeu (muito rápido diga-se de passagem), como também foi super cordial e generoso na sua resposta. Foi ai que pensei que aquela simples troca de e-mail poderia se tornar em uma entrevista e que sem dúvidas o grande Sílvio Celestino teria muito mais conteúdo para nós ensinar sobre liderança e mundo corporativo.

Então é isso, segue a entrevista com o Sílvio Celestino, que é uma aula, vale a pena conferir!


1- Vivemos em um mundo que passa por forte disrupção, onde paradigmas sustentados durante décadas e décadas cada vez mais são colocados a prova se valem ou não valem a pena serem mantidos, tanto individualmente para as pessoas quanto para as empresas e o mundo corporativo. Tendo isso em vista, lhe pergunto… a partir de todas essas disrupções, que tipo de crenças e valores terão as empresas que irão vencer nos próximos 10 ou 20 anos?

As empresas que irão vencer serão aquelas cujos principais líderes perceberem quais disrupções são genuínas e quais são fabricadas por forças culturais e econômicas e que, portanto, não deverão durar, são falsas ou possuem interesses escondidos. As disrupções genuínas são baseadas na verdade, já aquelas fabricadas são baseadas em apelações, narrativas e interesses que devem estar sempre no radar, não apenas das empresas, mas de todo indivíduo. Portanto, o principal valor de toda empresa deve ser a busca pela verdade e o conhecimento como possibilidade de aumentar seu horizonte de consciência e, deste modo, perceber fatores que possam afetar a empresa, seus negócios e seus resultados no longo prazo. Portanto, a busca pela verdade e o amor ao conhecimento são os dois valores que destacaria como os principais para as empresas que vencerão os próximos 10 ou 20 anos.

2- Que tipo de skills os líderes de empresas precisarão ter para manter suas equipes competitivas nos próximos 10 anos?

A principal skill é a capacidade de adquirir conhecimento e transformá-lo em ações relevantes e que assegurem os resultados duradouros. Portanto, o líder precisará ter a capacidade de inspirar a busca pela verdade e pelo conhecimento relevante, a resiliência e a uma enorme paciência para educar as novas gerações que chegam com conhecimento precário e errado, baixa resiliência e ânsia por resultados de curto prazo.

3- Você acha que um bom currículo ainda será avaliado apenas pelas boas instituições que o profissional estudou e pelas empresas e/ou projetos bacanas que trabalhou? Acha que os currículos serão vistos e avaliados de outra forma?

Um currículo com boas instituições somente possui valor para os profissionais que estão ingressando no mercado de trabalho. No longo prazo o que conta são as realizações da pessoa, seu comportamento e, principalmente, amadurecimento. É esse amadurecimento que faz com que o indivíduo se responsabilize por sua vida, sua carreira e aprenda a fazer networking, se autodesenvolver de maneira autônoma e desejar responsabilizar-se pelo desenvolvimento de outros profissionais, quer seja como líder executivo e empresarial ou instrutor.

4- Que desafios as empresas irão enfrentar (ou já enfrentam) para permanecerem competitiva nesse novo mundo que se apresenta?

O principal desafio sempre é enxergar os elementos que representam riscos para o seu futuro e evita-los, e reconhecer aqueles que são oportunidades e aproveitá-los. Com a crise os quadros estão muito enxutos e os líderes que deveriam ser estratégicos, isto é, pensar no futuro da companhia, estão muito mergulhados no dia a dia. Por exemplo, neste exato momento, tecnologias como blockchain e hashgraph deverão causar grandes mudanças em diversos mercados, o líder que não estiver acompanhando o que ocorre nestes campos pode ver seu negócio desmoronar muito rapidamente. Portanto, para manter-se competitiva, a empresa precisa ter pessoas que acompanhem o que vai pelo mundo em termos de conhecimento, tecnologia e tendências de forças que tentam impor mudanças culturais, e como transformar a empresa para fazer frente a tudo isso.

5- Na nossa conversa por e-mail você mencionou algo que achei bastante interessante e que gostaria de discutir aqui. Nesse trecho do e-mail:

“O problema é que devido aos bônus e altos valores envolvidos, as grandes empresas atraem todos os tipos de líderes, inclusive aqueles que farão qualquer coisa somente para garantir seu dinheiro. E, em geral, são pessoas espiritualmente fracas e, portanto, sem criatividade suficiente para gerir e simultaneamente inspirar os funcionários por meio de uma conduta valorosa, ética e mobilizadora. Embora sejam ótimos em obter resultados.”

Você fala de líderes que são espiritualmente fracos, que mesmo capazes de entregar bons resultados, não são tão bons inspirando e nutrindo suas equipes. Partindo disso lhe faço a seguinte pergunta: Você acha que essa parte espiritual impacta na liderança praticada pelas empresas? Acha que esse aspecto espiritual, no fim das contas, faz diferença nos resultados de uma empresa? E caso faça diferença, pode me dizer como seria isso?

Tudo nas empresas é pesado, medido e quantificado. Portanto, a empresa no seu dia a dia está envolta em condições de restrições. Entretanto, para que possa crescer de maneira consistente, ou sair de uma situação muito difícil, precisa criar o novo. Ou seja, transformar-se para criar novos produtos, serviços e experiências que se transformem em fontes de renda. Ora, a criatividade é uma função do espírito. Portanto, se toda a atenção dos líderes está nas questões do quotidiano, não sobra tempo para alimentar o espírito que é o que irá trazer as ideias para que a empresa tenha um futuro duradouro. Para alimentar o espírito, o indivíduo, quer seja um líder ou não, deve ler bons livros, fundamentalmente os clássicos (existe uma lista deles no livro “Como Ler Livros” de Mortimer Adler), assim como expor-se às artes – evite a arte moderna, concentre-se nos períodos anteriores – ver boas peças de teatro e museus. Deste modo estará alimento o espírito, que é ilimitado, com o amor pelo conhecimento, que é o que irá tirar a empresa de dificuldades, criar futuros inspiradores e, principalmente, inspirar seus funcionários com ideias que sejam realmente marcantes, relevantes e transformadoras.

6- Para quem ainda não é líder, mas almeja algum cargo de liderança… que dica você daria para que essa pessoa se torne um bom líder nos próximos anos?

A principal dica é ter amor pelo conhecimento e nunca parar de desenvolver-se. Quando uma pessoa lê os livros clássicos – ver a lista que mencionei que está no livro “Como ler livros” – ela terá diante de si uma espécie de dicionário de tudo aquilo que pode acontecer com o ser humano, como ele pode reagir a esses acontecimentos e finalmente como ele pode ser. Esse dicionário de inúmeras figuras que retratam a pessoa é fundamental para quem deseja liderar.

Além disso, deve ter bons líderes de referência, não apenas que estejam próximos a você, mas conhecer a história de figuras extraordinárias da humanidade, para o bem e para o mal – afinal um líder irá encontrar pessoas de boa e de má índole, algumas terríveis, e, portanto, deve saber como lidar com elas.

Também deve preocupar-se em conhecer o básico de liderança. Nesses 16 anos dando Coaching para executivos, observo que o gestor brasileiro precisa aprimorar principalmente as seguintes competências: comunicação, delegação follow-up, feedback, motivação de pessoas e gestão de agenda. Além de conhecer os estilos de liderança mais apropriados a cada situação.

Quando possível, tenha um mentor, um conselheiro, ou um coach, que possam auxiliá-lo nesse desenvolvimento. O autodesenvolvimento é possível, mas é muito lento e pode fazer o indivíduo cometer erros que podem ser evitados com uma boa orientação e desenvolvimento apropriado de competências.

Descrevo detalhadamente tudo isso em meu livro “O Líder Transformador, como transformar pessoas em líderes”, ele foi feito exatamente para quem deseja se transformar em líder e não possui muitos recursos ou alguém por perto que possa auxiliá-lo nesta tarefa.


Obrigado pela sua visita e leitura!

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